Unveiling Emotions: My Creative Process

The other day I was having a chat with a friend about artistic process in photography. I made some portraits of him, and we were discussing about my creative decisions when making his images.

I told him that I have been developing this process for more than a decade, when I started composing (or making) music using electronic instruments. Nowadays I’m more engaged with photography, but the creative process is about the same.

Firstly, I think about what I want as a final result, the intention behind that piece of work. Then, I start joining the pieces and making the body of work. In music, this means putting together several instruments, voices etc.; in photography, this is the editing or post-production process, the manipulation of elements such as contrast, colors and textures. The composing or editing process goes on for a while, always with a direction in mind.

Outro dia, estava conversando com um amigo sobre processo artístico na fotografia. Fiz alguns retratos dele, e estávamos discutindo sobre minhas decisões criativas ao fazer suas imagens.

Contei a ele que venho desenvolvendo esse processo há mais de uma década, quando comecei a compor (ou fazer) música usando instrumentos eletrônicos. Hoje em dia estou mais engajado com a fotografia, mas o processo criativo é praticamente o mesmo.

Em primeiro lugar, penso no que quero como resultado final, a intenção por trás daquele trabalho. Então, começo a juntar as peças e dar forma à obra. Na música, isso significa reunir vários instrumentos, vozes etc.; na fotografia, é o processo de edição ou pós-produção, a manipulação de elementos como contraste, cores e texturas. O processo de composição ou edição continua por um tempo, sempre com uma direção em mente.

When I am in the middle of the creative process, I feel a certain unease. This feeling won’t disappear until I reach a certain tipping point.

All of a sudden, after the last touch of sound or color, I feel that the work is finished. It is such a relief! I feel like I’ve removed a heavy weight from my back, I feel light and happy. This is something that I can’t intellectually describe, but I always feel it when an art work is finished. By art here I don’t mean the great art produced by Michelangelo or Dalì – it’s all about my humble pieces of art.

Quando estou no meio do processo criativo, sinto uma certa inquietação. Essa sensação não desaparece até que eu alcance um determinado ponto de inflexão.

De repente, após o última nota musical ou modificação de cor, sinto que a obra está terminada. É um alívio! É como se eu tivesse tirado um peso enorme das minhas costas, me sinto leve e feliz. Isso é algo que não consigo descrever intelectualmente, mas sempre sinto quando uma obra de arte está finalizada. Por arte, não quero dizer as grandes obras produzidas por Michelangelo ou Dali – tudo aqui se resume às minhas humildes peças de arte.

This is a tricky moment, and I learned that whenever I feel that the work is completed, I shall not try to modify or improve it. Any attempt to do so will be catastrophic, as it would only destroy what I have struggled to create.

Whereas in music we add elements (instruments, voices) until we compose a full song, in photography we have an opposite process. We start with a world full of objects, elements, colors and shapes and deconstruct this world. We reduce it (by selecting areas, cropping and manipulating light) until we reach the minimum elements that convey our message.

For these portraits, I wanted the shallowest depth of field. This would put the viewer in close contact with the subject. Maybe so close that we stop seeing obvious details and start connecting with him, noticing his look, emotions, expressions or thoughts. If I managed to do that, I’m very happy.

Este é um momento complicado, e aprendi que, sempre que sinto que o trabalho está concluído, não devo tentar modificá-lo ou melhorá-lo. Qualquer tentativa será catastrófica, pois só destruiria o que tanto lutei para criar.

Enquanto na música adicionamos elementos (instrumentos, vozes) até compor uma música completa, na fotografia temos um processo oposto. Começamos com um mundo cheio de objetos, elementos, cores e formas e desconstruímos esse mundo. Nós o reduzimos (selecionando áreas, recortando e manipulando a luz) até atingirmos o mínimo de elementos que transmitam nossa mensagem.

Para esses retratos, eu queria a menor profundidade de campo possível. Isso colocaria o espectador em contato próximo com o sujeito. Talvez tão perto que deixamos de ver detalhes óbvios e começamos a nos conectar com ele, percebendo seu olhar, emoções, expressões ou pensamentos. Se consegui fazer isso, fico muito feliz.

For those interested in the technical aspects, the editing process was very simple. I removed temporary blemishes (acne and other skin imperfections, stray hair) and converted the image to black and white. In many cases, I didn’t feel that B&W was conveying the feeling that I needed to express. So I added a single color, creating monochromatic images, or reducing the saturation and color pallete. All editing was subtle, I wanted to preserve a natural feeling.

Para os interessados ​​nos aspectos técnicos, o processo de edição foi bem simples. Removi imperfeições temporárias (acne e outras imperfeições da pele, fios de cabelo soltos) e converti a imagem para preto e branco. Em muitos casos, não achei que o P&B transmitisse o sentimento que eu precisava expressar. Então, adicionei uma única cor, criando imagens monocromáticas ou reduzindo a saturação e a paleta de cores. Toda a edição foi sutil, minha intenção era preservar uma sensação natural.

I used a Canon full-frame camera and two lenses, a Zeiss 50mm f/1.4 and a vintage Helios 44-2 58m f/2 (made in the USSR in the 1980s). The lighting setup was a single softbox with grid on the left side as key light and a flash with small diffuser on the right for fill light.

As I usually stop down the lens (f/5.6 or more) to kill the ambient light and shape the light only with the softbox, I can’t use wider apertures, such f/2 or less. In order to achieve a very shallow depth of field while using artificial light, I added a 10-stop ND filter, so I could reach f/1.4 without overexposing the image.

Usei uma câmera full-frame da Canon e duas lentes, uma Zeiss 50mm f/1.4 e uma Helios 44-2 58m f/2 vintage (fabricada na URSS na década de 1980). A configuração de iluminação era uma softbox com grid do lado esquerdo como luz principal e um flash com difusor pequeno do lado direito como luz de preenchimento.

Como costumo fechar a lente (f/5.6 ou mais) para eliminar a luz ambiente e moldar a luz apenas com a softbox, não posso usar aberturas mais amplas, como f/2 ou menos. Para obter uma profundidade de campo muito rasa usando luz artificial, adicionei um filtro ND de 10 stops, para poder chegar a f/1.4 sem superexpor a imagem.

One Model, Two Vibes

Amateur photographers sometimes struggle to find models for portraits. Finding great models is even more challenging. Fortunately, here in Brasilia there’s this group named “Fotomeet” (@fotomeetbsb), they organize meetups for photographers and models every month or so.

For my first meetup participation, I took a full-frame camera (the controversial EOS R, the first Canon mirrorless body, which I love) paired with the amazing Zeiss 50mm f/1.4, a manual focus, electronic aperture lens. And I was lucky enough to have the opportunity to shoot with Nicoly.

Nicoly is the kind of person who displays a very positive energy. As soon as I saw her posing for other photographers, I realized how special she is as a model. After taking photos with other photographers, she changed clothes and appeared dressed in red with a vintage, 1960s look.

Às vezes, fotógrafos amadores têm dificuldade para para encontrar modelos para retratos. Encontrar bons modelos é ainda mais desafiador. Felizmente, aqui em Brasília tem um grupo chamado “Fotomeet” (@fotomeetbsb), que organiza encontros para fotógrafos e modelos a cada mês ou poucos meses.

Na minha primeira participação no encontro, usei uma câmera full-frame (a controversa EOS R, primeiro corpo mirrorless da Canon, que eu adoro) combinada com a incrível Zeiss 50mm f/1.4, uma lente de foco manual e abertura eletrônica. E tive a sorte de ter a oportunidade de fotografar com a Nicoly.

Nicoly é o tipo de pessoa que transborda energia positiva. Assim que a vi posando para outros fotógrafos, percebi o quão especial ela é como modelo. Depois de fazer fotos com outros fotógrafos, ela se trocou e apareceu vestida de vermelho com um look vintage dos anos 1960.

The location, a building rooftop, provided for an airy atmosphere.

I love how this Zeiss lens delivers the images with a wide-open aperture. The soft focus creates a dreamy look, exactly the way I like. This sometimes reminds me of old film cameras, whose images aren’t clinically sharp as we are used to see from today’s cameras.

O local, no topo de um edifício, proporcionava uma atmosfera arejada. Adoro como essa lente Zeiss captura as imagens com uma abertura bem aberta. O foco suave cria um visual onírico, exatamente do jeito que eu gosto. Isso às vezes me lembra câmeras de filme antigas, cujas imagens não são clinicamente nítidas como estamos acostumados a ver nas câmeras atuais.

Models should be good at modelling. But great models need to be exceptional actresses as well. The ability of playing a character changes everything. Nicoly fits the second group, for sure.

Modelos precisam ser boas na hora de posar. Mas as grandes modelos, além disso, precisam ser atrizes excepcionais. A habilidade de interpretar um personagem muda tudo. A Nicoly se encaixa no segundo grupo, com certeza.

In the end, I found that this first part of the photoshoot resulted in a cool fashion magazine vibe.

Por fim, achei que essa primeira parte do ensaio fotográfico resultou em uma vibe bem legal de revista de moda.

After that, Nicoly appeared again with a white shirt, a cigarrete and a totally different tone. This time, a Pulp Fiction look dominated the set. This happened at the sunset, so the light and energy couldn’t have been better than that. She’s started dancing, totally absorbed, and reproduced that memorable scene with John Travolta.

Em seguida, Nicoly apareceu novamente, com uma camisa branca, um cigarro e um tom totalmente diferente. Desta vez, um look Pulp Fiction dominou o cenário. Isso aconteceu no pôr do sol. A luz e a energia não poderiam ser melhores. Ela começou a dançar, totalmente absorta, e reproduziu aquela cena memorável com John Travolta.

My conclusion is quite simple: if you want to make a superb portrait photoshoot, finding a great model is the first step.

A minha conclusão é bem simples: se você quer fazer um ensaio fotográfico incrível, encontrar uma ótima modelo é o primeiro passo.

Looking back, I was lucky that Nicoly interpreted these characters so well. On that occasion, I didn’t have to plan anything, it all happened by chance. But, for a successful photoshot, my second advice would be to plan every detail of the session well ahead.

Olhando para trás, tive sorte que a Nicoly interpretou esses personagens tão bem. Naquele dia, não tive que planejar nada, tudo aconteceu por acaso. Mas, para um ensaio fotográfico ter sucesso, meu segundo conselho seria planejar bem todos os detalhes da sessão com muita antecedência.

Sunset Perspectives

The other day I was taking portraits of a friend, Renzo, and he said that he hates sunset photos. I found it curious and I agreed that most sunset photos might indeed be boring. I then started to think about my sunset images.

When I was a child, my father would let me use his Olympus Trip 35, a 35mm film camera, and make a few shots. He was very protective of his camera (as well as of his Ray-Ban glasses), so I had to take extra care. I mostly shot some landscape and, obviously, sunsets.

And then several other recent sunset images that I made came to my mind.

I added to Renzo, almost like an excuse, that I did shoot sunsets in the past, but I tried to make them different. The photo above, for instance, was made using a lot of zoom, so the Sun appears bigger than we normally see it. The picture is quite simple, but the birds and the boats add a slight movement to the scene, so we can perceive it as if we were there. I do enjoy this image, although it is just another sunset.

Renzo and I agreed that the quality of the light after the sunset is usually nicer than the sunset itself. And then this image below came to my mind. It’s a long exposure (actually, a few seconds), which made the clouds a bit messy. I like the dark sillouette of the rocks and the pink and blue colours. It’s a sunset without the sun and the usual yellow glow. Well, maybe I should call it non-sunset or post-sunset.

Outro dia, eu estava fazendo retratos do meu amigo Renzo, e ele disse que detesta fotos do pôr do sol. Achei curioso e concordei que muitas dessas fotos podem ser realmente sem graça. Então comecei a pensar nas minhas próprias imagens de pôr do sol.

Quando criança, meu pai me deixava usar sua Olympus Trip 35, uma câmera de filme 35mm. Ele tinha ciumes da câmera (assim como dos óculos Ray-Ban), então eu tinha que tomar muito cuidado. Fotografei principalmente paisagens e, obviamente, pores do sol.

Então várias outras imagens recentes que fiz de pôr do sol vieram a minha mente.

Quase como um pedido de desculpas, expliquei para o Renzo que eu já havia fotografado pores do sol no passado, mas que eu tentava torná-los diferentes. A foto acima, por exemplo, foi feita usando muito zoom, então o Sol parece maior do que normalmente o enxergamos. A imagem é bem simples, mas os pássaros e os barcos dão um leve movimento à cena, então podemos percebê-la como se estivéssemos lá. Eu gosto dessa imagem, embora seja apenas mais um pôr do sol comum.

Renzo e eu concordamos que a qualidade da luz após o pôr do sol costuma ser mais bonita do que o próprio pôr do sol. E então me lembrei dessa imagem aqui embaixo. É uma longa exposição (na verdade, de alguns segundos), o que deixou as nuvens um pouco mexidas. Gosto da silhueta escura das rochas e das cores rosa e azul. É um pôr do sol sem o sol e sem o brilho amarelo comum. Bom, talvez eu devesse chamá-lo de não-pôr-do-sol ou pós-pôr-do-sol.

Definitely, a way of making sunsets photos less predictable is using zoom (or another unusual focal length) and not going for the obvious – the Sun setting. Like this photo below, which comprises layers of land, clouds and colours. Even though the colour pallete is warm, I think this image evokes peace and calm. Another non-sunset image.

Certamente, uma maneira de tornar as fotos do pôr do sol menos previsíveis é usar zoom (ou outra distância focal incomum) e não focar no óbvio – o sol se pondo. Como esta foto aqui embaixo, que mostra camadas de terra, nuvens e cores. Mesmo com a paleta de cores quente, acho que essa imagem evoca paz e calma. Acaba sendo mais uma imagem que não é exatamente o pôr do sol.

I think Renzo has a point. He hates sunset photos and this happens because we love sunsets. They’re an easy target for us photographers of any level. They usually provide contrast and a warm glow, which automatically makes the image more attractive. However, although all sunsets are not the same, they do look terribly similar.

The great challenge for us photographers (amateurs or pros) is to make our sunsets unique. Or, at least, less similar to all those that we’ve already seen.

Thank you, Renzo. After our talk, I’ll never manage to photograph a sunset again before thinking twice.

Renzo tem razão. O fato de ele detestar fotos do pôr do sol tem a ver justamente com o nosso fascínio por essa cena. Nós, fotógrafos de todos os níveis, acabamos vendo pores do sol como um alvo fácil. Eles costumam apresentar contraste e luz quente, tornando a imagem automaticamente mais atraente. No entanto, embora cada pôr do sol tenha suas particularidades, no fim das contas acabam sendo todos terrivelmente parecidos.

O grande desafio para nós fotógrafos (amadores ou profissionais) é tornar nossos pores do sol únicos. Ou, pelo menos, um pouco diferentes de todos aqueles que já vimos.

Obrigado, Renzo. Depois da nossa conversa, nunca mais vou conseguir fotografar um pôr do sol sem pensar duas vezes.

Sometimes everything we need is a blend of intention, technique and a bit of luck.

I was on a farm in Brazil and intentionally wanted to take bird photos. I always wished to photograph a hummingbird. They’re so fast and elusive, that I didn’t have many hopes.

But it was around 11am when I heard and saw a hummingbid. She was flying high, close to the tree top. It was overcast and extremely bright. I new that I would have no more than a few minutes with her, so I rushed inside, took my camera and dialed in a quick configuration with a positive exposure compensation.

I saw the bird kissing the flowers against a very bright backdrop, so I just pressed the shutter button and hoped for the better.

Days later, when I reviewed the photos, I saw an image which was almost completely black-and-white with the bird’s sillouette and dark tree branches, leaves and flowers.

To my surprise, when I overexposed the image on the editor, the miracle came in. What a beautiful and delicate scene!

I carefully cropped and toned the image rose to match the bird and the flowers. And the result was almost poetic. Amazing!

Às vezes, tudo o que a gente precisa é de uma mistura de intenção, técnica e um pouco de sorte.

Eu estava em uma fazenda no Brasil e queria intencionalmente tirar fotos de pássaros. Sempre quis fotografar um beija-flor. Eles são tão rápidos que eu não tinha muita esperança.

Mas, por volta das 11 horas da manhã, ouvi e vi um beija-flor. Estava voando alto, perto da copa da árvore. O céu estava nublado e extremamente claro. Eu sabia que não teria mais do que alguns minutos com ele, então corri para dentro, peguei a câmera e configurei rapidamente uma compensação de exposição positiva.

Vi o pássaro beijando as flores contra um fundo muito claro, então apenas apertei o botão da câmera e torci para dar certo.

Dias depois, ao rever as fotos, encontrei uma imagem que estava quase toda em preto e branco, com a silhueta do pássaro e galhos, folhas e flores escuras da árvore.

Para minha surpresa, ao aumentar o brilho da imagem no editor, o milagre aconteceu. Que cena linda e delicada! Fiz o recorte da foto e tonalizei cuidadosamente a imagem em um tom rosa, para combinar com o pássaro e as flores. E o resultado foi quase poético. Incrível!